O Suriname situa-se na América do Sul, mas é uma nação caribenha. Tal como a Guiana, pertence ao Caribe pela língua, história e povo, e não pela sua costa, que dá para o Atlântico.
É uma das três Guianas. Onde a Guiana foi britânica, o Suriname foi a Guiana Holandesa, sendo o único país de língua holandesa na América do Sul. Tornou-se independente em 1975 e é um membro de pleno direito da CARICOM, a Comunidade do Caribe.
A maior parte do país é constituída por floresta tropical. O Suriname assenta no Escudo das Guianas e mais de noventa por cento do seu território é floresta, a maior percentagem de qualquer país do mundo. Esse interior pertence ao continente, não ao Caribe. O Caribe no Suriname é o seu povo.
Essa história segue uma ordem. Os holandeses construíram plantações de açúcar na costa e exploraram-nas com africanos escravizados. Muitos fugiram para a floresta e construíram lá sociedades livres, os Maroons, que ainda governam partes do interior sob as suas próprias leis. Após o fim da escravatura, os holandeses trouxeram trabalhadores contratados da Índia e de Java, na Indonésia, para trabalhar nas mesmas plantações.
O resultado é uma das sociedades mais miscigenadas do mundo, sem que nenhum grupo constitua a maioria. Os surinameses são indianos, africanos, javaneses, Maroons, chineses, indígenas e outros, a mesma história de plantação e servidão que moldou a Guiana e Trinidad, com os javaneses como um elemento distintivo. A capital, Paramaribo, reflete este resultado: um centro histórico de arquitetura holandesa em madeira, classificado como Património Mundial da UNESCO, onde mesquitas, sinagogas e igrejas se encontram lado a lado.
Portanto, o Suriname é caribenho pela cultura e pela política, não pela sua costa. Partilha a língua do império, o passado das plantações e a sociedade miscigenada do resto do Caribe, enquanto se volta para o Atlântico.